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Museu Memórias Vivas amplia programação cultural e passa a oferecer oficinas semanais gratuitas para estudantes no Agreste

  • Foto do escritor: André de Brito
    André de Brito
  • 31 de mar.
  • 4 min de leitura

Projeto "Arte no Museu" transforma o espaço do Instituto Conceição Moura em laboratório criativo permanente, conectando memória, educação e experimentação artística ao longo de todo o ano


No coração do Agreste pernambucano, onde a memória da indústria doceira ajudou a moldar a identidade de uma cidade inteira, um antigo espaço fabril se reinventa como território de arte, educação e encontros. É nesse cenário que o Museu Memórias Vivas, em Belo Jardim, passa a ampliar sua programação cultural com o lançamento do projeto "Arte no Museu", uma série de oficinas criativas gratuitas realizadas semanalmente e voltadas para estudantes da educação básica e para a comunidade local.


A iniciativa, que acontece sempre às quintas e sextas-feiras, marca uma nova etapa na atuação educativa do museu. Mais do que um espaço de preservação da história local, o Memórias Vivas se consolida como um ambiente vivo de formação cultural, onde o passado dialoga com o presente por meio da criação artística e da participação do público.


“Queremos que o museu seja também um lugar de experimentação e descoberta. As oficinas aproximam os jovens da arte e da memória da cidade, mostrando que cultura é algo que se constrói coletivamente”, destaca a coordenadora-executiva do Instituto Conceição Moura, Lorena Tenório.


O projeto integra a programação permanente do Museu Memórias Vivas, espaço idealizado pelo Instituto Conceição Moura e instalado no prédio histórico da antiga Fábrica Mariola, uma das indústrias mais emblemáticas da história de Belo Jardim.


Em abril, na primeira semana, nos dias 2 e 3, acontece a atividade “Caça ao Tesouro”, que propõe desafios interativos para estimular o trabalho em equipe, o raciocínio lógico e a criatividade dos participantes.

Já nos dias 9 e 10 de abril, o museu promove uma oficina de vôlei, incentivando a prática esportiva como ferramenta de cooperação, disciplina e desenvolvimento de habilidades motoras.


Na terceira semana, nos dias 16 e 17 de abril, a programação celebra o Dia do Livro Infantil com uma atividade de contação de histórias, voltada para despertar o interesse pela leitura, estimular a imaginação e fortalecer o vínculo com o universo literário.


Encerrando o mês, nos dias 23 e 24 de abril, será realizada a oficina “Grafismos Indígenas – Arte e Significado”, em alusão ao Dia dos Povos Indígenas, promovendo a valorização das culturas originárias e o respeito à diversidade por meio da arte.


Durante as oficinas, os participantes exploram diferentes linguagens, como desenho, pintura, colagem, produção audiovisual e outras expressões contemporâneas, sempre em diálogo com o acervo e as narrativas culturais do museu. A metodologia prioriza a experimentação, o protagonismo estudantil e o aprendizado por meio da prática.


“Quando o museu se abre para atividades criativas, ele deixa de ser apenas um espaço de contemplação e se torna um lugar de produção cultural e formação cidadã”, reforça Lorena Tenório.


HISTÓRIA


Fundada em meados de 1915 por Jorge Aleixo da Cunha e sua esposa Quitéria Batista de Lima, a Mariola se tornou um marco econômico e cultural do Agreste. O que começou com a produção artesanal dos doces preparados por Quitéria ganhou escala industrial ao longo das décadas, transformando a fábrica em símbolo de prosperidade e pertencimento para a população local. Durante quase cinquenta anos, a indústria movimentou a economia da cidade, gerou empregos e marcou o imaginário coletivo da região.


Hoje, o espaço que um dia abrigou as máquinas da fábrica se transforma em território de memória e reflexão. Ao entrar no Museu Memórias Vivas, o visitante percorre uma experiência que revisita a trajetória da Mariola e de seus fundadores, revelando não apenas a história de uma empresa, mas também o espírito empreendedor que ajudou a moldar Belo Jardim.


A visita mediada conduz o público pelas origens humildes de Jorge e Quitéria, que enfrentaram os desafios de empreender no Agreste e ergueram uma indústria que, até seu fechamento em 1969, foi um dos pilares da economia local. Fotografias, objetos pessoais e fragmentos originais da antiga fábrica ajudam a reconstruir esse percurso histórico.


Entre os destaques da exposição estão réplicas em 3D dos antigos maquinários, que permitem uma experiência sensorial e tátil, além de registros históricos e depoimentos que resgatam memórias afetivas de quem viveu o auge da indústria. O percurso expositivo se encerra no Cineteatro Cultura, onde um curta-metragem aprofunda os temas abordados na visita e convida o público a refletir sobre o impacto duradouro dessa história para a comunidade.


O processo curatorial do museu foi construído a partir de um cuidadoso trabalho de pesquisa histórica e memória oral. Elementos originais da antiga fábrica, maquinários parcialmente restaurados e fragmentos arquitetônicos foram incorporados à exposição. Textos da literatura local ajudaram a compreender a dinâmica social e econômica da época, enquanto entrevistas com ex-funcionários e moradores trouxeram à tona lembranças e afetos que marcaram a trajetória da Mariola.


“O Memórias Vivas nasceu do desejo de preservar uma história que pertence à cidade. Cada objeto, cada relato e cada fotografia ajudam a reconstruir a memória coletiva de Belo Jardim”, explica o curador George Pereira.


ACESSIBILIDADE


O museu também foi projetado para ser um espaço inclusivo e acessível, garantindo que pessoas com diferentes necessidades possam vivenciar plenamente a experiência cultural. O local conta com rampas de acesso, plataforma elevatória, banheiros adaptados e sinalização adequada, além de miniaturas em 3D das peças expostas para facilitar a experiência de visitantes com deficiência visual.


QR codes distribuídos nas galerias oferecem audiodescrição das obras e conteúdos expositivos, enquanto intérpretes de Libras garantem a acessibilidade para visitantes com deficiência auditiva. Monitores capacitados também acompanham visitantes com deficiência ou transtornos mentais, ampliando o alcance das atividades culturais do espaço.


O projeto é patrocinado pela Baterias Moura, por meio da Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura.


Serviço


Museu Memórias Vivas – Instituto Conceição Moura

Endereço: Rua Marechal Deodoro, 45, Centro, Belo Jardim

Funcionamento: Terça a domingo, das 9h às 20h

Entrada gratuita

Agendamentos: (81) 97314-6655


Programação – Abril | Arte no Museu


02 e 03/04 | Caça ao Tesouro

Objetivo: estimular o trabalho em equipe, o raciocínio lógico e a criatividade por meio de desafios lúdicos e interativos.


09 e 10/04 | Oficina de Vôlei

Objetivo: promover a prática esportiva, incentivando a cooperação, a disciplina e o desenvolvimento de habilidades motoras.


16 e 17/04 | Contação de Histórias (Dia do Livro Infantil)

Objetivo: incentivar o gosto pela leitura, estimulando a imaginação, a escuta e o interesse pelo universo literário.


23 e 24/04 | Oficina “Grafismos Indígenas – Arte e Significado”

Objetivo: valorizar a cultura indígena, promovendo o respeito à diversidade e o conhecimento sobre suas tradições e saberes.


Atividades gratuitas. Classificação livre.

 
 
 

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